Guia prático para mochileiros de primeira viagem

(Foto: Flickr| CC BY 2.0 | Sveta Suvorina)

Simplicidade, aventura, desapego e muito perrengue. Quem já fez um mochilão provavelmente se identifica com essas palavrinhas. Isso porque o conceito de mochilar significa viajar apenas com o necessário – que é pouco, acredite! Essa cultura, por sua vez, pode acabar implicando em outras questões relacionadas à dinheiro, hospedagem, transporte, passagem. Não pesquisei muito sobre o assunto quando mochilei pela primeira vez. Embora tenha aprendido com os erros, confesso que poderia ter evitado algumas situações. No entanto, também acumulei alguns acertos (em grande parte, acidentais). Dessa forma, organizei um guia prático para mochileiros de primeira viagem.

Passagem

Mochilei pela primeira vez em 2014, por alguns países da América do Sul. Uma das melhores coisas que fiz foi quitar a passagem antes de viajar. O alívio de voltar para casa e não ter que pagar caro na fatura do cartão de crédito é indescritível. E se você tiver que usá-lo durante a viagem, é importante lembrar que a cobrança vem com uma taxa salgada. Por isso, planeje-se e compre a passagem com antecedência. Você vai se agradecer quando pagar a conta no seu retorno.

Outra ponto importante em relação à passagem é identificar por onde você gostaria de começar e terminar a viagem. Em mochilões, é comum rodar bastante por diversas cidades. Portanto, considere que talvez você não termine a viagem no mesmo lugar onde começou. Diversas companhias cobram mais caro para fazer duas pontes aéreas diferentes, mas o investimento pode compensar. No meu mochilão, por exemplo, voei de São Paulo para Lima e voltei por Buenos Aires. Se eu tivesse voltado por Lima, nunca teria ido até a Argentina. Seria um percurso caro e longo. A moral da história: o barato pode sair caro e pode limitar a sua viagem.

Seguro

Mochilão envolve passar perrengue. Partindo do princípio de que é uma viagem de baixo custo, é normal viajantes optarem por todas as opções mais baratas de comida, hospedagem, transporte, entre outras. O risco de ter uma intoxicação alimentar, de sofrer um acidente ou de perder a mala existe para qualquer um, independente do orçamento. O ponto é: ser atendido no hospital ou fazer compras de itens básicos pode ser bem caro. Se você vai mochilar, significa que o dinheiro que você está levando cobre o essencial. Para emergências, com certeza o mochileiro sairá no prejuízo se não tiver contratado um seguro de viagem que pode reembolsá-lo na volta. Novamente, o barato sai caro. É sempre melhor viajar prevenido. Aqui eu também acertei, só faltou fazer um kit médico (ensinamos a montar um aqui!).

Roteiro

É importante traçar um roteiro, mas também é importante ser flexível com mudanças. O roteiro vai te ajudar a planejar a viagem de acordo com o tempo que você tem, especialmente se a volta for em um local diferente da ida. Porém, se você quiser ficar mais em um lugar do que outro, não tenha medo de mudar os planos. Eu tive receios no início, por medo de não ver tudo o que tinha pensado em conhecer. Aos poucos, percebi que não seria viável seguir meu roteiro. Não havia tempo e nem dinheiro suficiente. Cortei algumas cidades e segui em frente.

Além disso, aprendi e aceitei que cada um vive uma experiência diferente. Não adianta querer repetir o que os outros fizeram. Por sugestões de amigos, passei três dias em Lima e um dia e meio em Arequipa. Hoje, penso que poderia ter ficado menos tempo na primeira cidade e mais na segunda. Por isso, após pesquisar em guias e blogs e consultar outros viajantes, recomendo que você selecione tudo que gostaria de ver. Em seguida, identifique quais atrações parecem imperdíveis e brinque de conectar os pontos. Esse será o seu roteiro base. Ao longo da viagem, você pode cortar ou acrescentar novos itens à lista. Não monte seu roteiro com base em expectativas decorrentes do que os outros viveram.

Dinheiro

Depois de montar o seu roteiro base, calcule quanto dinheiro você vai precisar para fazer tudo o que gostaria. Considere a forma de se transportar de um lugar para o outro, a alimentação, o tipo de hospedagem, as atrações pagas e eventuais despesas (compras, emergência, etc). Quando fiz meu mochilão, tinha uma quantia limitada que havia economizado por alguns meses. Ao longo da viagem, percebi onde e como poderia economizar.

Por exemplo, comprar passagens de ônibus com antecedência era mais barato do que comprar no dia. Sempre levava uma garrafa vazia de 1L na mochila e a enchia em um bebedouro quando tinha a oportunidade. O menu executivo na hora do almoço sair mais em conta do que comprar itens do mercado para cozinhar. Grande parte dos albergues oferecia café da manhã, valendo mais a pena do que fazer couchsurfing. Viajar a noite equivalia a economizar uma diária no hostel.

E lembre-se de trazer um cartão de crédito para emergências, um de débito para saque e uma quantia em espécie. Guarde em locais separados para não perder tudo caso for roubado. É sempre melhor ter pelo menos duas fontes de dinheiro. O fato é que não existe fórmula, apenas bom senso. Se você pretende viajar com pouco, se esforce para não gastar à toa. No fim, se sobrar dinheiro, guarde para próxima viagem!

Bagagem

Tudo o que você precisa saber sobre como montar um mochilão está aqui. Na minha primeira experiência, admito que levei muito mais roupa do que precisava, itens de higiene desnecessários e cosméticos que nem encostei. Não sei por que acredito que vou precisar de creme hidratante na viagem, sendo que nunca o uso em meu cotidiano. A regra para montar a mala é simples, traga somente o necessário de acordo com o seu destino (por exemplo: se for inverno, leve roupas apropriadas! Improvisar pode ser uma enrascada!) e opte por itens que você usa pelo menos uma vez na semana. Tenha sempre em mente que você terá que carregar o peso de tudo que trouxer nas costas.

Além disso, você também pode querer trazer uma lembrancinha de volta para casa. Se não tiver espaço na ida, esqueça! E mais. Uma vantagem de viajar com o mochilão é poder levá-lo como bagagem de mão – se for por volta dos 40L, claro. Você não perde tempo para pegar a mala, não corre o risco de perdê-la e, em alguns casos, não paga para despachar. Por experiência, 40L é mais do que suficiente para trazer tudo o que você precisa. Mais do que isso pode ser uma tentação para trazer aquele creme que nunca será usado.

Hospedagem

Essa é sua chance de economizar um pouco de dinheiro. Há diversos tipos de hospedagem e, geralmente, os mais baratos são albergues ou couchsurfing. Se você optar por ficar em hosteis, eu recomendo que você reserve sua estadia antes de viajar apenas para os primeiros dias. No decorrer da viagem, você pode fazer reservas um dia antes de mudar de local. No entanto, para couchsurfing é melhor se planejar e verificar a disponibilidade dos lugares para onde você pretende ir.

Uma dica: leve sempre dois cadeados. Em hostel, nem sempre eles tem a opção de alugar um ou de deixar a mochila em um locker. Na minha viagem, eu não levei e toda vez que deixava a mochila sozinha, ficava apreensiva. O cadeado é uma pequena garantia de que você não será roubado. E recomendo que leve dois para caso você deixe o celular carregando em outro locker, por exemplo. Assim, a mochila e o aparelho ficam um pouco mais protegidos. Durante minha viagem, cansei de ver pessoas deixando avisos de que “perderam” suas coisas.

Transporte

Pesquise sobre o transporte local antes de viajar. Descubra o valor da tarifa, como e onde comprar um passe. Quando você chegar, tenho quase certeza de que será mais fácil se locomover. Além disso, também verifique as opções para ir de uma cidade à outra. Ônibus, trem, avião ou carona? Minha única dica é que você tenha certeza do que está fazendo. Nem sempre vale a pena pagar barato e ficar quase um dia viajando na estrada. Por outro lado, nem sempre compensa pagar caro para chegar rápido. Preze por sua segurança em primeiro lugar. Esse é o momento de ouvir os conselhos de outros viajantes que já passaram por onde você vai.

Documentos

Duas regras básicas:

1) Digitalize todos os seus documentos, coloque em um pen drive e mande para seu e-mail.

2) Veja que lugares precisam de visto ou cobram uma quantia para você entrar.

(Foto: Flickr| CC BY 2.0 | Jon Rawlinson)

(Foto: Flickr| CC BY 2.0 | Jon Rawlinson)

Depois que você voltar com um passaporte cheio de carimbos, você nunca mais vai querer deixar de mochilar!

Gostou das dicas? Faltou algo? O que mais você recomenda para mochileiros de primeira viagem? Dê sua sugestão! 

. Cidadã do universo, jornalista e escritora, que ama qualquer tipo de viagem e comida. É criadora de Conteúdo no WePlann.

6 thoughts on “Guia prático para mochileiros de primeira viagem

  1. 16/03/2018 at 11:15

    Parabéns pela matéria. Mta dica boa.

    1. 16/03/2018 at 12:01

      Oi Bruno!

      Obrigada pelo comentário, fico feliz que tenha sido útil pra você!! 🙂

      Um beijo

  2. 14/04/2016 at 13:41

    Depois do primeiro mochilão fiquei viciado, essa vida é fascinante

    1. 29/04/2016 at 12:36

      Alfred,

      Concordo! É o jeito mais gostoso de viajar 🙂 Percebemos como não precisamos de muito para viajar, né?

      bjs

  3. 27/02/2016 at 19:30

    Precisando viajar, faz tão bem.

    1. 24/03/2016 at 16:29

      Nem me fale! Viajar em primeiro lugar!

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