Por que você deveria acampar pelo menos uma vez na vida

Praia do Sono, em Paraty (Foto: Natália Grandi)

Praia do Sono, em Paraty (Foto: Natália Grandi)

Há algumas semanas eu acampei pela primeira vez. Digo pela primeira vez sem contar as vezes que fui a jogos universitários ficar em uma barraca, embaixo do sol, para muito provavelmente dormir no chão, não; estou considerando toda a experiência de realmente acampar, em especial em um lugar isolado. Eu não sabia como seria isso, não tinha muitas expectativas, mas meus amigos me chamaram e meu espírito aventureiro não negaria uma oferta dessas. E fui.

Fomos para a Praia do Sono, em Paraty, no Rio de Janeiro. Só existe duas formas de chegar nessa praia: por uma trilha de quase 4 km ou por um barquinho. Cheguei na rodoviária às 4h30 da manhã com um amigo e, como não tínhamos muito dinheiro, decidimos esperar pelo primeiro ônibus da cidade que saia da rodoviária e parava na entrada da trilha. Às cinco e pouco da manhã, o ônibus passou. Depois de quase uma hora, chegamos na trilha. Ainda estava escuro, mas decidimos começar a aventura. Começamos bem devagar, porque ainda estava escuro, mas aos poucos o dia foi clareando. Levamos cerca de 2h para chegar à praia.

Trilha para chegar até a Praia do Sono, em Paraty (Foto: Natália Grandi)

Trilha para chegar até a Praia do Sono, em Paraty (Foto: Natália Grandi)

Já na Praia do Sono, muitos campings diferentes. O critério para escolher o camping foi o banheiro – escolhemos o que tinha o banheiro mais ‘em ordem’. E a partir daí, era hora de explorar o lugar. No começo eu não tinha achado nada demais, pensei: ‘ok, é uma praia como todas as outras’. Mas com o passar do dia fui percebendo que não era a praia em si que fazia daquele lugar um refúgio incrível, mas sim a experiência de acampar em um lugar longe da cidade grande, longe do barulho dos carros. Era acordar com o barulho do mar e ir dormir com o som das cigarras.

Há algumas diferenças entre ficar hospedado em uma praia altamente turística e um lugar mais isolado – não vou dizer que a Praia do Sono não é turística, porque não é o lugar menos conhecido do mundo, mas nesse caso estou falando sobre lugares longe das grandes cidades. A primeira diferença é que você nunca sai da areia. Se passar a tarde olhando o mar, quando voltar para a sua barraca, você não vai passar por uma calçada, uma estrada ou mesmo uma loja de roupas antes. Você simplesmente vai caminhar até ela na areia – e é muito provável que sua barraca esteja na areia também. De um lado, você tem a praia. Uma praia bonita, da mesma forma que várias outras – mas o grande diferencial é o que há do outro lado. A mata virgem, a areia fazendo a transição para a grama, os coqueiros fazendo sombra nos campings.

Praia do Sono, Paraty (Foto: Natália Grandi)

Praia do Sono, Paraty (Foto: Natália Grandi)

Outra diferença é a falta de tecnologia. Você nunca estará 100% em contato com a natureza se ficar checando seu e-mail ou suas mensagens a cada cinco minutos. Em lugares como a Praia do Sono, muito provavelmente seu celular não vai ter sinal. Zero sinal. Alguns campings até têm WiFi em certa hora do dia, mas convenhamos, se é pra acampar, uma boa ideia é vivenciar a experiência na sua totalidade. Ficar longe das preocupações e de tudo que possa te tirar daquele momento único.

E não é só a tecnologia que não está presente. Por haver poucas casas e poucos moradores, quase não há eletricidade. Quando cai a noite, você precisa acostumar seus olhos com um ambiente muito mais escuro do que aqueles com os quais você está acostumado na cidade. Em São Paulo, por exemplo, a noite é quase como o dia em questão de iluminação. Shoppings, edifícios, semáforos, faróis de carros… São luzes que não terminam mais. A diferença é que a luz da noite não é natural. E me parece revigorante a ideia de passar noites como elas realmente são, com pouca ou quase nenhuma iluminação.

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Mas não parece nada mal fazer uma fogueira na praia durante a noite, não é? Ou ler um livro na sombra de uma árvore, tomando uma água de coco? Fora isso, uma grande vantagem é que você vai gastar bem pouco. O preço de um camping por pessoa é bem menor que o de um hotel ou até mesmo um hostel.

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Quando você está em um lugar que não foi drasticamente modificado pelo homem, na natureza como ela realmente é, não é só o contato com ela que traz a sensação de paz e relaxamento. É o contato com você mesmo, com os pensamentos que não veem lugar e vão embora muito rápido no nosso dia a dia estressado e conturbado. Afinal, não é só a agitação que nos faz produtivos. O ócio e o tempo só pra você também podem ser muito produtivos. Mesmo que você não tenha grandes ideias para o seu trabalho ou seu negócio nos momentos de isolamento, é sempre bom fugir da vida da cidade para recarregar as energias.

Por fim, acampar significa abrir mão do conforto de um hotel ou até mesmo do seu quarto e sua cama quentinha. E às vezes até do banho quente – sim, o banheiro do nosso camping era legal, mas a água era gelada. Mas eu não tenho nada a reclamar dessa experiência. Afinal, do que você realmente precisa? Com uma barraca e um saco de dormir dá pra passar dias bem agradáveis com o mínimo possível.

Praia do Sono, Paraty (Foto: Natália Grandi)

Praia do Sono, Paraty (Foto: Natália Grandi)

E se você está pensando que já passou da sua idade de acampar, que isso é pra jovens, aí que você se engana! Vi muitas famílias e casais de idosos acampando – e com muito mais facilidade e propriedade que eu, com meus vinte e poucos anos. Não há idade para se permitir novas experiências. O que posso dizer é que a minha foi incrível – e com certeza não foi a última vez que fui acampar. A sensação de libertação é indescritível. É uma chance de reconectar-se com a essência da vida e seus pensamentos mais profundos que ficam perdidos no meio da turbulência que é a vida em uma grande metrópole.

Escrito por Natália Grandi, jornalista e tradutora que ama conhecer novas culturas e viajar, seja com os livros ou com a mochila nas costas. É criadora de Conteúdo no WePlann.

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