Por que você deveria acampar pelo menos uma vez na vida

Praia do Sono, em Paraty

Há algumas semanas eu acampei pela primeira vez. Digo pela primeira vez sem contar as vezes que fui a jogos universitários ficar em uma barraca, embaixo do sol, para muito provavelmente dormir no chão, não; estou considerando toda a experiência de realmente acampar, em especial em um lugar isolado. Eu não sabia como seria isso, não tinha muitas expectativas, mas meus amigos me chamaram e meu espírito aventureiro não negaria uma oferta dessas. E fui.

Fomos para a Praia do Sono, em Paraty, no Rio de Janeiro. Só existe duas formas de chegar nessa praia: por uma trilha de quase 4 km ou por um barquinho. Cheguei na rodoviária às 4h30 da manhã com um amigo e, como não tínhamos muito dinheiro, decidimos esperar pelo primeiro ônibus da cidade que saia da rodoviária e parava na entrada da trilha. Às cinco e pouco da manhã, o ônibus passou. Depois de quase uma hora, chegamos na trilha. Ainda estava escuro, mas decidimos começar a aventura. Começamos bem devagar, porque ainda estava escuro, mas aos poucos o dia foi clareando. Levamos cerca de 2h para chegar à praia.

Trilha para chegar até a Praia do Sono, em Paraty

Trilha para chegar até a Praia do Sono, em Paraty

Já na Praia do Sono, muitos campings diferentes. O critério para escolher o camping foi o banheiro – escolhemos o que tinha o banheiro mais ‘em ordem’. E a partir daí, era hora de explorar o lugar. No começo eu não tinha achado nada demais, pensei: ‘ok, é uma praia como todas as outras’. Mas com o passar do dia fui percebendo que não era a praia em si que fazia daquele lugar um refúgio incrível, mas sim a experiência de acampar em um lugar longe da cidade grande, longe do barulho dos carros. Era acordar com o barulho do mar e ir dormir com o som das cigarras.

Há algumas diferenças entre ficar hospedado em uma praia altamente turística e um lugar mais isolado – não vou dizer que a Praia do Sono não é turística, porque não é o lugar menos conhecido do mundo, mas nesse caso estou falando sobre lugares longe das grandes cidades. A primeira diferença é que você nunca sai da areia. Se passar a tarde olhando o mar, quando voltar para a sua barraca, você não vai passar por uma calçada, uma estrada ou mesmo uma loja de roupas antes. Você simplesmente vai caminhar até ela na areia – e é muito provável que sua barraca esteja na areia também. De um lado, você tem a praia. Uma praia bonita, da mesma forma que várias outras – mas o grande diferencial é o que há do outro lado. A mata virgem, a areia fazendo a transição para a grama, os coqueiros fazendo sombra nos campings.

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Praia do Sono, Paraty

Outra diferença é a falta de tecnologia. Você nunca estará 100% em contato com a natureza se ficar checando seu e-mail ou suas mensagens a cada cinco minutos. Em lugares como a Praia do Sono, muito provavelmente seu celular não vai ter sinal. Zero sinal. Alguns campings até têm WiFi em certa hora do dia, mas convenhamos, se é pra acampar, uma boa ideia é vivenciar a experiência na sua totalidade. Ficar longe das preocupações e de tudo que possa te tirar daquele momento único.

E não é só a tecnologia que não está presente. Por haver poucas casas e poucos moradores, quase não há eletricidade. Quando cai a noite, você precisa acostumar seus olhos com um ambiente muito mais escuro do que aqueles com os quais você está acostumado na cidade. Em São Paulo, por exemplo, a noite é quase como o dia em questão de iluminação. Shoppings, edifícios, semáforos, faróis de carros… São luzes que não terminam mais. A diferença é que a luz da noite não é natural. E me parece revigorante a ideia de passar noites como elas realmente são, com pouca ou quase nenhuma iluminação.

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Mas não parece nada mal fazer uma fogueira na praia durante a noite, não é? Ou ler um livro na sombra de uma árvore, tomando uma água de coco? Fora isso, uma grande vantagem é que você vai gastar bem pouco. O preço de um camping por pessoa é bem menor que o de um hotel ou até mesmo um hostel.

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Quando você está em um lugar que não foi drasticamente modificado pelo homem, na natureza como ela realmente é, não é só o contato com ela que traz a sensação de paz e relaxamento. É o contato com você mesmo, com os pensamentos que não veem lugar e vão embora muito rápido no nosso dia a dia estressado e conturbado. Afinal, não é só a agitação que nos faz produtivos. O ócio e o tempo só pra você também podem ser muito produtivos. Mesmo que você não tenha grandes ideias para o seu trabalho ou seu negócio nos momentos de isolamento, é sempre bom fugir da vida da cidade para recarregar as energias.

Por fim, acampar significa abrir mão do conforto de um hotel ou até mesmo do seu quarto e sua cama quentinha. E às vezes até do banho quente – sim, o banheiro do nosso camping era legal, mas a água era gelada. Mas eu não tenho nada a reclamar dessa experiência. Afinal, do que você realmente precisa? Com uma barraca e um saco de dormir dá pra passar dias bem agradáveis com o mínimo possível.

Praia do Sono, Paraty

Praia do Sono, Paraty

E se você está pensando que já passou da sua idade de acampar, que isso é pra jovens, aí que você se engana! Vi muitas famílias e casais de idosos acampando – e com muito mais facilidade e propriedade que eu, com meus vinte e poucos anos. Não há idade para se permitir novas experiências. O que posso dizer é que a minha foi incrível – e com certeza não foi a última vez que fui acampar. A sensação de libertação é indescritível. É uma chance de reconectar-se com a essência da vida e seus pensamentos mais profundos que ficam perdidos no meio da turbulência que é a vida em uma grande metrópole.

Escrito por , jornalista e tradutora que ama conhecer novas culturas e viajar, seja com os livros ou com a mochila nas costas. É criadora de Conteúdo no WePlann.

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