Tour Gaudí: a rota do Modernismo em Barcelona

Casa Milá, conhecida como La Pedrera.

Barcelona é um dos destinos europeus mais populares entre viajantes do mundo inteiro. A Sagrada Família, um dos seus maiores símbolos, revela o nome e o movimento que estão por trás de grande parte da interessantíssima história local: Antoni Gaudí e o Modernismo. Para os amantes de arquitetura, a cidade é como um museu a céu aberto: fachadas góticas coexistem com as construções mirabolantes de Gaudí em uma explosão de formas, cores e imponência que é a cara de Barcelona. Te levamos por um tour pelos principais marcos do Modernismo da cidade – as famosas casas do Gaudí e a Sagrada Família. Prepare-se para se apaixonar pela história e pelo visual da charmosa Barcelona!

O tour começa no bairro gótico, no centro, em meio a ruínas de muralhas romanas e vestígios impressionantes do século IV. De lá, um guia te levará a um dos bairros mais cativantes da cidade e onde está concentrada a maior parte do legado de Gaudí: L’Eixample. Caminhando pela principal avenida, Passeig de Gràcia, é possível se deparar com várias das obras planejadas por Gaudí – ali, no meio da rua, como um pedaço tão valioso de história acessível a qualquer um para admirar (um dos encantos do Velho Continente!). Seguimos a nossa rota modernista, herança da virada do século XX.

Casa Lleó Morera

Casa Lleó Morera: obra de Lluís Domènech i Montaner, também pioneiros do Modernismo.

Vamos a um pouco de história: após a derrubada das muralhas romanas que continham o centro urbano em uma área extremamente reduzida (por isso as ruelas tortuantes e estreitas na parte antiga), a cidade expandia para o norte. O arejado e bem planejado bairro de L’Eixample é resultado dessa expansão e passou a se concentrar a elite. As casas levantadas por Gaudí na região eram encomendadas pela burguesia da época como símbolo de status de uma família. Como é possível imaginar, os projetos audaciosos do arquiteto desafiavam a harmonia do bairro (tanto no visual como na etiqueta) e chamavam a atenção, assim que residir em um edifício assinado por Gaudí era garantia de não passar desapercebido. O contexto era de evolução da indústria, revolução tecnológica, condições de trabalho insalubres, empregos instáveis, decadência e descontentamento geral. Ao mesmo tempo, burgueses construíam casas enormes cheia de esculturas malucas no terraço ou em formato de dragão.

Casa Battló

Casa Battló: fachada de mosaico de azulejos e balcões inspirados em esqueletos humanos.

As construções geralmente consistiam em alguns apartamentos – abrigavam a família patrona no primeiro piso e deixavam os outros andares disponíveis para aluguel a outras famílias burguesas. No tour, o guia conta a história em detalhes de cada família, suas ocupações, os requisitos da encomenda e os desafios que cada edifício passou para ser levantado. Um passeio riquíssimo onde você tem a chance de descobrir tudo o que a por trás das belas fachadas que vemos pelo caminho! Uma curiosidade: toda construção modernista conta com um dragão de São Jorge. O passatempo é encontrar o dragão escondido em cada edifício.

A grande essência de Gaudí era a descontrução da matéria para garantir o caráter orgânico da obra. Em outras palavras, Gaudí tentava sempre seguir as formas e elementos encontrados na natureza: linhas fluídas, pilares que lembram ossos humanos, padrões que lembram o fundo do mar, ornamentos que lembram folhas, janelas que permitem ventilação e luz natural. Imagine que, em prol desta ‘desconstrução da matéria’, durante a construção da Casa Battló um trecho da principal avenida do bairro burguês foi interditado pelos construtores de Gaudí quebrando caríssimos azulejos italianos no chão para que os pedaços fizessem parte da transgressora fachada da casa. Não é difícil entender que o arquiteto era muito mal compreendido em plena década de 1900.

Casa Milá, conhecida como La Pedrera.

Casa Milá, conhecida como La Pedrera.

Outro feito de Gaudí foi a incorporação de arcos cartenários – são arcos minuciosamente calculados para se sustentarem apenas com a força da gravidade, sem a atuação de nenhuma força horizontal. Muito técnico? Bem, basta pensar que Gaudí foi o primeiro a conseguir projetar arcos que se mantivessem de pé sozinhos, sem apoio, apenas com a sustentação natural do material utilizado. Esta foi, talvez, a maior contribuição de Gaudí para a arquitetura civil. A mesma técnica foi aplicada na Sagrada Família, que teoricamente pode subir, subir, e sempre irá se sustentar. Ela ainda está em construção – e subindo.

A irreverência dos prédios modernos em meio a bairros tão tradicionais refletem a cultura local. Despojada, eclética, cheia de diversidade e história viva: Barcelona é um destino que você não pode perder se viajar à Europa. Não perca a chance de visitar a cidade e descobrir o Modernismo – reserve as suas entradas para o tour do Gaudí aqui.

Escrito por , paulistana viajante apaixonada por música e por ver o mundo. É criadora de Conteúdo no WePlann.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *